Plantão ou não Tire sua própria conclusão!

Que futuro vai ter a nação?
Se feito por seguidores da televisão
Alguém avise ao presidente que revolução
Só se for dentro da escola
Pra acabar com cotas e esmolas
Nós queremos educação
E não esse lixo da televisão

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Analfabetismo: Quais as suas dimensões?

Analfabetismo funcional é aquele que o indivíduo não é capaz de escrever o próprio nome. Segundo o Ministério da Educação há cerca de 15 milhões de analfabetos funcionais no Brasil. Contudo, esta estatística torna-se muito mais abrangente quando levamos em consideração que apenas escrever o próprio nome não é mais suficiente diante da sociedade capitalista e da filosofia do liberalismo pós-moderno. Certamente há outros tantos que sabendo escrever, ou, desenhar o próprio nome, não sabem ler. Outros tantos ainda que sabendo ler e escrever, não são capazes de entender e interpretar o que lêem.

O que é mais grave talvez seja o tipo de analfabeto que, estando dentro de uma escola e participando diariamente das aulas ainda não sabe ler e nem escrever. Não estou me referindo a alunos da primeira série, mas de outras mais avançadas da educação básica. Como isso é possível? Como um aluno que está dentro da escola e é capaz de aprender não sabe ler nem escrever? Há forças e interesses políticos que visam garantir verbas públicas destinadas para o ensino fundamental, e estes alunos foram impulsionados para as séries seguintes, pois um alto índice de reprovação significaria redução desses investimentos.

Mas afinal, qual é o papel fundamental da escola? Não seria o de primeiramente e fundamentalmente ensinar a leitura e a escrita? No sentido mais amplo dos termos, ler e escrever significam ações psicomotoras e cognitivas mais significativas das ações e operações pedagógicas dentro do processo de ensino e aprendizagem.

A escola, por sua natureza sistêmica e epistemológica, deve promover atividades de aprendizagem que garantam a todos os discentes, sem distinção e discriminação, o direito à aquisição destas habilidades. Há uma intencionalidade nas ações pedagógicas, a qual é fundamentalmente a de construir cultura.

Todavia, isso só é possível quando o ser humano é capaz de apropriar-se da linguagem e de diferentes processos de comunicação de maneira eficiente e funcional. Esta necessidade torna-se mais relevante no século XXI, considerado por muitos comunicólogos como o século da informação. Como psicopedagogo e professor de filosofia da educação percebo que uma das saídas para esta crise na alfabetização de alunos com dificuldades de aprendizagem é a implantação e implementação de políticas públicas que promovam um novo modelo de suporte pedagógico dentro das unidades escolares da rede pública de ensino. Faz-se necessário a criação de uma equipe interdisciplinar dentro de cada unidade de ensino. Esta equipe de suporte pedagógico seria formada pelos seguintes especialistas: orientador escolar, supervisor escolar, psicopedagogo e psicólogo.

Esta equipe daria suporte aos professores alfabetizadores dentro da escola. Ao primeiro sinal de deficiência na leitura e na escrita o aluno seria encaminhado para uma avaliação psicopedagógica e psicológica. Um trabalho em rede com outros órgãos públicos seria o ideal, dentre eles: Conselho Tutelar, Secretaria do Bem Estar Social, Secretaria da Saúde e Ministério Público (Juizado da Infância e Adolescência). Quando necessário, após avaliação psicopedagógica e psicológica, o aluno seria encaminhado para atendimento pertinente ao seu problema.

Os professores alfabetizadores entrariam em ação e atenderiam a este aluno com exclusividade, até que o mesmo tivesse o domínio necessário da leitura e da escrita. É fácil pressupor que se não há o domínio destas habilidades fica impossível ao aluno acompanhar os conteúdos curriculares definidos e propostos pela escola. Evidentemente que esta estrutura não depende da boa vontade de voluntários dentro da unidade escolar, mas de políticas públicas que priorizem de fato a qualidade na educação como um todo e garantam a contratação de profissionais qualificados por meio de concursos públicos. Alegar que não há verbas não é uma boa desculpa para o Governo, pois ao final, quem vai mesmo pagar a conta somos todos nós

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