Plantão ou não Tire sua própria conclusão!

Que futuro vai ter a nação?
Se feito por seguidores da televisão
Alguém avise ao presidente que revolução
Só se for dentro da escola
Pra acabar com cotas e esmolas
Nós queremos educação
E não esse lixo da televisão

terça-feira, 26 de abril de 2011

Agora me preocupo em lançar questionamentos quanto ao uso dos recursos naturais no nosso mundo capitalista. E também quanto aos impactos ambientais decorrentes de empreendimentos em sua fase de construção ou operação. Toda a preocupação, seja da sociedade ou do estado, gira em torno da manutenção do “equilíbrio ecológico / ambiental” para a garantia da qualidade de vida, ou mesmo a nossa própria sobrevivência no futuro. Mas a idéia do equilíbrio é muito vaga. Resumindo, não existe um equilíbrio estático na natureza, ou seja, ter o objetivo de manter um ambiente exatamente como ele está é algo que não faz sentido, pois a natureza é dinâmica e está sempre mudando.

Então estamos falando de equilíbrio dinâmico: a idéia é manter um “ambiente saudável” onde os processos ecológicos se mantenham, independente da variação da composição de espécies e abundância de indivíduos ao longo do tempo. Deve existir, portanto, um balanço entre o que é produzido e o que é consumido no sistema. É desta maneira que o mundo ficaria mais “equilibrado e saudável”.

Entretanto, a humanidade precisa usar esses recursos naturais para viver. Não preciso dizer que o uso indiscriminado, apenas consumindo e retirando predatoriamente sem se preocupar com o ambiente de onde se consumiu / retirou é uma maneira extremamente ignorante, baseada na idéia do ganho fácil e de que os recursos são infindáveis.

Apesar de parecer algo insano, foi o mais comum no passado da nossa história e atualmente ainda é a prática mais difundida. No entanto, o Estado e a opinião pública, em sua maioria, já chegaram à conclusão de que desta maneira não teremos futuro nenhum, além de não ser economicamente viável. Daí surgiu a idéia do uso sustentável e de se controlar a execução de empreendimentos potencialmente poluidores. Só que na prática, em muitos casos, está longe do ideal de sustentabilidade e conservação.

Por exemplo, como garantir que o manejo sustentável de espécies madeireiras na Amazônia (o famoso selo verde) vai assegurar o equilíbrio da floresta utilizada, se não se sabe como a floresta responde à ausência das espécies utilizadas, normalmente árvores grandes que sustentam uma infinidade de outros seres vivos?

Na realidade, as empresas que possuem o tal selo verde já estão comprando mais áreas, pois estão percebendo que as áreas manejadas de 20 anos atrás não se recuperaram e não possuem potencial econômico.

Certamente isto é melhor que o corte raso destruidor, mas garante algum futuro?
Equilíbrio ecológico
Ou então podemos pensar no processo de licenciamento ambiental. Os estudos e avaliações de impacto ambiental e os monitoramentos da biota no decorrer da instalação e operação dos empreendimentos não garantem o equilíbrio ecológico e a qualidade de vida, devido principalmente à rapidez com que são feitos esses estudos. Eles normalmente dão uma idéia geral. É praticamente impossível que impeçam um empreendimento de ser realizado. Da mesma maneira, melhor do que se não existissem, mas, e daí? E a garantia que gostaríamos de ter de um ambiente saudável? E ainda existe o problema de freqüentemente serem feitos laudos técnicos fraudulentos por consultoras sem ética, para garantir o empreendimento acima de qualquer dano ambiental relevante e irreversível, em prol do dinheiro.

Não adianta, o que manda em nosso mundo é poder do dinheiro. O papel dos ambientalistas é mostrar que destruição ambiental não é economicamente viável no médio prazo. Isso já está sendo feito e crescendo a cada dia, com o desenvolvimento de estudos de economia ambiental e outros similares. Um assunto delicado é quais parâmetros utilizar e como. Mas já é um bom começo, o convencimento das empresas de que devem cuidar - realmente - do ambiente, se não terão sérios prejuízos e mancharão sua imagem, dificultando a obtenção de um lucro significativo. É por aí que os ambientalistas devem agir. Não adianta ficar na ingenuidade de que “todos os seres vivos tem o direito de viver”, ou outros argumentos conservacionistas do tipo. Isso é papel da educação ambiental, fundamental, mas que atuará no longo prazo.

O problema ambiental é urgente e precisamos saber lidar com o capitalismo e a degradação ambiental conseqüente, agindo imediatamente. Para isso, temos que entrar no mundo e na lógica desse poder dominante e encontrar uma solução de equilíbrio, entre as necessidades humanas e o que o ambiente pode oferecer perpetuamente.

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